Relato de viagem da amiga e colaboradora do Blog Mochilando Sozinha, Marcella, que largou uma carreira promissora e aproveitou para Mochilar Sozinha em uma viagem mini sabática pelo Sudeste Asiático. 

Nesse relato você irá descobrir várias razões para também ir Mochilar Sozinha nesse país tão encantador e apaixonante… Prepare-se para se apaixonar também!

Fotos de seu acervo pessoal – Mais fotos incríveis lá  no Instagram @mochilandosozinha

Meu mochilão pelo Sudeste Asiático não foi muito planejado, como gosto de fazer. Do momento em que realmente decidi ir para lá até a data da viagem foi aproximadamente 1 mês. Comprei minha passagem para Bangkok, pois tinha certeza que queria conhecer a Tailândia e depois comecei a pesquisar sobre outros países próximos. Nunca tinha ido para a Ásia e, apesar de imaginar que qualquer país por lá fosse bem interessante, queria conhecer algum que fosse ainda mais peculiar e diferente da minha realidade. Foi aí que em minha busca pelos blogs que abordavam roteiros pelo Sudeste Asiático, me deparei com Myanmar. Quando comecei a ler a respeito, duas coisas me chamaram a atenção:

– Pouco turismo: o país abriu recentemente para o turismo (em 2012)

– Povo: um país pobre, mas com um povo feliz e acolhedor

Para ser sincera não sabia absolutamente nada sobre Myanmar (ou Birmânia) e nunca pensei em ir para lá. Mas desde o primeiro relato que li sobre esse país, senti uma curiosidade enorme em conhecê-lo.

Apesar de ser um país ainda pouco visitado pelos brasileiros, encontrei dicas bem legais de alguns mochileiros que estiveram por lá e já foi o suficiente para ter ideia dos lugares que gostaria de conhecer. Como tinha a princípio 2 a 3 meses de viagem pelo Sudeste Asiático, não queria fazer um roteiro muito certinho… queria deixar a viagem me levar, queria sentir minha intuição, mudar o roteiro, enfim, não ficar presa a um planejamento, como muitas vezes ficamos quando temos os 30 dias usuais de férias. Esta viagem para mim era menos turística, sem aquela “obrigação” de passar por todos os pontos turísticos, e mais uma viagem espiritual e de autoconhecimento. Mas posso dizer que felizmente consegui agregar tudo e mais um pouco. Passei pelos lugares que queria conhecer, fui para outros que eu nem sequer tinha ouvido falar antes de chegar lá, deparei-me com um país pobre financeiramente e que passa por muitas dificuldades, mas rico em beleza e com o povo mais acolher e caloroso que eu já conheci. Vi costumes que eu sequer imaginava e aprendi mais sobre a religião budista, tão presente neste país e que me encantou. Começar minha viagem pelo Sudeste Asiático por Myanmar foi a melhor escolha que fiz!

E agora vou contar um pouquinho da minha experiência pelos lugares que passei durante as 3 semanas em que mochilei por lá. E já deixo a dica, se puder, use seus 28 dias de visto de permanência no país. Fiquei 21 dias, mas com vontade de ficar mais.

Myanmar tem 3 aeroportos internacionais (Yangon, Mandalay e Naypyidaw). Meu voo foi de Bangkok para Yangon, com duração de 1h20. Optei por começar por Yangon e terminar a viagem em Mandalay. De lá peguei um voo de volta para a Tailândia.

Yangon

Yangon é a antiga capital de Myanmar (a capital atual é Naypyidaw). Trata-se da maior cidade do país e de um grande centro econômico. Seu nome significa “cidade sem inimigos” (yan, significa inimigos, e koun, significa livrar-se de, fugir de).

Não é só a Shwedagon Pagoda que impressiona. Passear por Yangon é mergulhar de cabeça na cultura do país. Entre construções antigas e mal cuidadas, mercados de rua espalhados por todos os cantos e que vendem de tudo, um trânsito caótico com transporte decadente, dentre tantas outras peculiaridades e costumes, todos podem ser observados neste único local. É nesse caldeirão de informações que fica ainda mais evidente o quanto o país ainda está parado no tempo, com quase nenhuma influência ocidental.

Dentre vários países que já visitei, Myanmar foi sem dúvida, um dos mais marcantes e especiais. Mas devo confessar que minha primeira impressão não foi das melhores. Posso descrevê-la como uma mistura de susto e fascínio. Sim, susto. Eu estava hospedada bem no centro da cidade, onde os aspectos que mencionei acima são ainda mais evidentes. No começo achei tudo feio e sujo e meu primeiro pensamento foi “o que estou fazendo aqui? E ainda sozinha!”

Mas o que posso dizer é que os 3 dias que passei por lá foram maravilhosos e o início de uma viagem que ficará para sempre em minha memória. O “susto” iniciou foi embora e meu coração se encheu de amor por esse lugar e por esse povo tão acolhedor. Já tinha lido em outros relatos muitos elogios sobre o povo birmanês, mas é difícil colocar em palavras o que é esse acolhimento. Só indo para lá para ver e sentir. Que prazer e privilégio ter estado com essas pessoas e ainda mais nesse momento em que vive o país.

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  • Vale a pena visitar:

Yangon é repleta de pagodas (pagode em português), que são os templos budistas. Os pagodes mais interessantes que visitei foram:

  • Shwedagon Pagoda: parada obrigatória. Ir a Yangon e não visitar este pagode é como ir a Paris e não visitar a Torre Eiffel. Trata-se do maior e mais fascinante pagode de Myanmar. Esse foi um dos lugares mais impressionantes que já visitei na vida. A primeira vez que estive lá foi em um final de tarde. Gostei tanto, que voltei no dia seguinte, antes do amanhecer. Foi muito emocionante estar em um lugar de tanta paz logo cedo, onde quase não há presença de turistas, somente os monges e peregrinos orando, meditando e fazendo oferendas. Reserve pelo menos 3 horas para visitá-lo.

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  • Sule Pagoda: localizada bem no centro de Yangon, sendo um local importante na política contemporânea do pais. Segundo a lenda, foi construído antes do Pagode Shwegadon , durante o tempo do Buda, tendo mais de 2.500 anos de idade.

 

  • Botahtaung Pagoda: também está localizada no centro da cidade, bem às margens do Rio Yangon. Seu nome significa “Bo, “líderes” e tahtaung, “1.000″. Isso porque segunda a história, relíquias de Buda foram escoltadas da Índia para cá por mil líderes militares. Foi construída quase ao mesmo tempo do que Sule Pagoda e Shwedagon Pagoda.

Foi aqui que conheci um senhor muito, mas muito especial, que me mostrou Yangon e me ensinou mais sobre o budismo e sobre o país. Vou deixar um capítulo à parte para contar um pouco mais sobre essa experiência.

  • Kyauk Daw Kyi Pagoda: famosa pelo enorme Buda sentado feito de mármore branco.

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  •  Chaukhtatgyi Buddha: o pagode do Buda inclinado, com quase 60 metros de comprimento.

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Também vale a pena conhecer:

  • Kandawgyi Nature Park: uma enorme área verde rodeada de árvores, jardins, orquidário, mini zoológico e diversos restaurantes e cafés com uma linda vista para um lago natural. Aqui também está o Karaweik Palace, onde é possível assistir a shows típicos e comer no restaurante que há dentro dele. Faça reserva antes.

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  • Transporte:

O taxi é bem barato, mas negocie antes com o motorista o valor até o local que está indo. Não é comum o uso de taxímetro.

Não é fácil andar de transporte público por lá. O ideal é contratar um taxi para levar aos principais pontos turísticos. No meu caso, como estava junto de um guia local que conheci na Botahtaung Pagoda, fui para todos os cantos da cidade de ônibus. Peguei ônibus velhos, sujos, cheios, quentes (não há ar condicionado), onde somente eu era turista. Pessoas me olhavam e sorriam. Foi uma grande aventura e uma experiência única viver um “pouquinho” como os locais vivem.

Yangon Circular Train 

Uma boa opção, principalmente para quem tem pouco tempo na cidade, é pegar o trem circular, que sai do centro (Yangon Central Railway Station) e em poucas horas dá a volta por Yangon. Além de poder conhecer mais da cidade, é possível observar o cotidiano das pessoas da janela do trem.

Obs. Esse passeio estava na minha lista, mas depois de percorrer Yangon por 2 dias com o meu guia local, não o fiz.

  • Tempo de permanência: fiquei 3 noites. Reserve pelo menos 2 dias inteiros para conhecer os principais pontos turísticos e explorar todos os encantos dessa cidade.

Um povo para lá de encantador…

E antes de fechar o capítulo Yangon e ir para as dicas do próximo destino (Golden Rock), gostaria de contar um pouquinho sobre o senhor que conheci na Botahtaung Pagoda, e que é uma das razões pela qual a saudade por esse lugar se torna ainda maior. No dia seguinte a minha chegada em Yangon, comecei o dia visitando a Botahtaung Pagoda. Já no final da visita, quando estava prestes a ir embora, esse senhor que é um Guia do local, de nome Tin OO e aproximadamente 60 e poucos anos se aproximou e começou a conversar comigo. Já o tinha visto antes com um casal de turistas, dando explicações em inglês sobre o local. Apesar de eu já ter caminhado por todo o pagode, percorri novamente agora tendo explicações sobre a história de Buda e demais tradições e curiosidades de Myanmar.

Você sabia que em Myanmar a semana tem 8 dias? Sim, a quarta-feira é dividida em duas, manhã e tarde. É muito comum você ver nos pagodes um Buda para cada dia da semana, juntamente com a imagem de um animal correspondente. O ritual é você lavar o seu Buda com canequinhas de água. Se você não sabe qual é o dia da semana em que nasceu, não se preocupe. Tem sempre alguém com um livrinho em mãos com essa informação.

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Depois de aproximadamente 1 hora percorrendo o local e respondendo a tantas dúvidas que eu tinha, ele me perguntou se eu estava “livre” e se gostaria que ele me mostrasse outros pagodes. Disse ainda que poderíamos almoçar em sua casa. Hesitei por um segundo apenas, mas seu jeitinho era muito cativante. Como eu estava só, fui. A partir deste momento, Tin OO passou a me chamar carinhosamente de Than Than. Segundo ele, esse era o meu nome birmanês, já que nasci em uma sexta-feira.

Ele ligou para sua esposa e avisou que iríamos almoçar lá. Estava muito quente, ficamos um bom tempo aguardando no ponto de ônibus, debaixo do sol. Demoramos mais de 1 hora para chegar ao vilarejo que ele mora, um lugar simples e pobre, com pessoas que transbordam simpatia e sorrisos. Ele me conduziu até sua casa, um quartinho de no máximo 2,5m X 2,5m. Esse pequeno espaço era literalmente a casa deles (colchão, TV, forninho, panelas, coisas de banheiro, enfim, tudo o que eles tinham e precisavam estava disposto pelo chão desse quadrado). Neste local onde ele mora há 20 quartos, cada um habitado por uma família. Os banheiros (buracos no chão) são compartilhados, assim como o tanque de água, onde eles tomam banho.

Conheci sua esposa, Cho Mar, que nos esperava com a comida posta, não em uma mesa, mas no chão de sua casa. Ela não fala uma palavra em inglês, mas não era preciso… muitas vezes um sorriso vale mais que mil palavras. Fingi naturalidade, como se aquilo fosse supernormal, mas estava com um nó na garganta, me segurando para não chorar na frente deles, tamanha era a minha comoção e emoção.

Tin OO me explicou sobre o costume deles comerem com as mãos. Cho Mar trouxe uma bacia de água para ele lavar as mãos e comer. Me deram uma colher e um garfo e colocaram a comida em meu prato. Estava tudo uma delícia!

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Antes de eu ir embora me presentearam com um amuleto verde com a figura do animal correspondente à sexta-feira, dia da semana em que eu nasci. Usei este amuleto durante toda a viagem.

Após o almoço, saímos para desbravar os demais lugares de Yangon. Ao final do dia, já a noite, Tin OO me levou até o hotel onde eu estava hospedada. Dei a ele uma doação. Seu trabalho é ser guia turístico e é disso que ele vive.

Nesta noite, liguei para o meu marido e mal conseguia contar a ele sobre o meu dia. As lágrimas que estavam entaladas saíram e comecei a chorar ao telefone. Quando deitei na cama de beliche do quarto em que estava, chorei ainda mais. Não conseguia parar de pensar na vida que aquelas pessoas levavam. Senti-me privilegiada por ter tanto, mas com vergonha de muitas vezes não dar valor a isso. Uma vida tão simples, mas tão cheia de amor. Lembrei do quanto me senti bem e feliz junto deles.

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Resumindo a história:

No dia seguinte, o encontrei novamente e passamos o dia juntos. Visitei lugares incríveis, que eu não teria ido se não o tivesse conhecido.

Todos os dias de minha viagem, ele me ligava pela manhã ou mandava mensagem para saber como eu estava e se precisava de algo.

A experiência com esta família birmanesa me tocou muito. Pessoas que nunca me viram antes e que me trataram como uma pessoa da família, uma filha. Pessoas tão pobres materialmente e tão ricas espiritualmente. Foi difícil dizer adeus…

Essa é uma das histórias que retrata a magnificência desse povo… conheci outras pessoas muito especiais ao longo da viagem. Como não se encantar por Myanmar?

E quem for a Yangon e quiser conhecer o Tin OO, é só ir até a Botahtaung Pagoda ou mandar e-mail para mochilandozinha@outlook.com, que passarei o contato dele.

 

Próxima parada: Golden Rock

De Yangon, peguei um ônibus pela manhã para visitar Kyaiktiyo Pagoda, também conhecida Golden Rock, e que fica a aproximadamente 4 horas de viagem.

A pedra é coberta com folhas de ouro e somente os homens podem tocá-la. Dizem que os devotos do país devem visitar esse local sagrado pela menos uma vez na vida. Os locais acreditam que é um fio do cabelo de Buda que sustenta a pedra no penhasco. É realmente impressionante ver isso de pertinho.

Algumas pessoas fazem bate e volta de Yangon. Particularmente, acho que deve ser bem cansativo. Preferi pernoitar por lá, pois meus planos eram seguir viagem para Mawlamyaing. Para chegar ao topo, que fica a uma altura de 1.100 metros do nível do mar, você tem a opção de caminhar (o percurso é bem longo, íngreme e você levará algumas horas para chegar) ou pegar um mini caminhão aberto. De caminhão, o trajeto leva aproximadamente 30 a 40 minutos até o topo e é muito divertido. Chegando lá, você precisa caminhar mais uns 10 minutos até a pedra.

Os melhores hotéis ficam no topo do monte. Porém, são muito mais caros. Imagino que a experiência de ver o dia amanhecer, com os peregrinos orando no local, deva ser algo mágico, mas como eu estava com o budget mais restrito, me contentei com a visita durante o dia e entardecer mesmo.

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Hpa An

Meu próximo destino era Mawlamyaing. Porém, mudei um pouco os planos quando conheci um fotógrafo francês no ônibus de Yangon para Golden Rock, que me recomendou Hpa An. Ele já tinha estado lá e estava voltando pela segunda vez. Bom, se uma pessoa que já viajou o mundo fotografando paisagens recomenda um lugar que está voltando pela segunda vez porque gostou muito, o que você faz? No mínimo busca mais informações… e foi o que eu fiz. Quando vi fotos na internet decidi que era para lá que ia.

Esta cidade fica localizada a aproximadamente 6 horas de Yangon (ou 3 horas de Golden Rock). É uma cidade tranquila, com uma paisagem cercada por montanhas e com diversos templos e cavernas com estátuas de Buda. Ainda pouco explorada pelos turistas, vale muito a pena a visita! Se tiver seguindo viagem para Mawlamyaing, por exemplo, recomendo passar alguns dias e conhecer as belezas de Hpa An.

 

  • Vale a pena visitar:

 

  • Mount Zwegabin: se você gosta de caminhar, comece o dia cedo com uma escalada ao monte Zwegabin. É um trekking de 2 horas bem íngreme, com escadas. Ao chegar ao topo há uma pequena pagoda, que não impressiona muito. Porém, a vista de lá é incrível.

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  • Sadan Cave: uma enorme caverna encrustada em uma montanha, cheia de imagens de Buda e pagodes. Para caminhar por dentro dela tenha em mãos uma lanterna (a própria lanterna do celular já resolve). Não se assuste com os muitos morcegos que habitam o local. Após andar pelo meio da caverna, você chega do outro lado da montanha. De lá, é possível pegar um barquinho de volta.

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  • Kyauk Ka Lat Pagoda: a paisagem desse local é deslumbrante, com montanhas ao redor, lago e um pagode no topo de uma rocha.

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  • Transporte: os lugares mais bonitos não ficam na parte central e é preciso algum tipo de transporte para chegar até eles. Você tem a opção de alugar uma scooter ou pegar um taxi ou moto taxi. O trânsito nesta cidade é bem mais tranquilo, quando comparado a Yangon ou Mandalay.

Foi aqui que aluguei uma scooter e em um tombo estúpido me machuquei. Não foi nada de muito grave, mas levei um baita susto. Apesar de ser muito fácil alugar uma scooter, pois eles não pedem nenhum tipo de documentação, só o faça se estiver habituado a dirigir motos.

  • Tempo de permanência: fiquei 2 noites por lá, mas teria ficado mais. Reserve pelo menos dois dias inteiros para apreciar com mais calma a região.
  • Onde comer:
  • Veranda: um restaurante-café charmoso, com comida e sucos deliciosos.
  • San Ma Tau: prove aqui a típica comida birmanesa.

 

Bagan

Todos que pesquisam sobre Myanmar, deparam-se com a imagem dessa cidade dos milhares de templos e balões. Como não querer conhecer esse lugar que parece ter saído de um conto de fadas? Sim, é encantador, fascinante, mágico. É parada obrigatória para quem vai a Myanmar! Que emoção ver o sol nascendo com um espetáculo de balões voando através dos mais de 2.000 templos. Uma paisagem que parece até uma miragem, um sonho.

A grande atração por lá é o espetáculo do nascer e pôr do sol. Acorde bem cedo e escale um dos muitos templos para essa vista magnífica. Há alguns templos que são bem famosos e que lotam de turista. Quase impossível fazer uma foto bonita sem alguém na sua frente.

Dica: procure um templo mais tranquilo, onde você tenha uma boa vista e possa apreciar o sol sem grandes tumultos.

Bagan é uma zona arqueológica e os turistas precisam pagar uma taxa de entrada de U$ 20 para permanecer por até 5 dias.

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  • Vale a pena visitar:

Dentre os milhares de templos espalhados por Bagan, não deixe de visitar:

Ananda Temple

Sulamani Temple

Shwesandaw Pagoda

Shwezigon Pagoda

Dhammayangyi Temple

Passeios de balão:

Uma grande atração por lá é voar de balão. Eu não sabia, mas Bagan está entre os melhores lugares do mundo para se fazer passeios de balão. Quando estava ainda pesquisando sobre a viagem, decidi que esse era um passeio turístico (e aliás, bem caro!) que eu iria fazer neste mochilão pelo Sudeste Asiático. Há algumas companhias que fazem os passeios e eu optei pela Balloons Over Bagan. Amei a experiência e recomendo muito esta empresa. É a mais antiga por lá e achei tudo muito profissional. O piloto era espanhol, bem experiente e me passou muito confiança.

Atenção: somente durante alguns meses do ano é possível voar, que vai de outubro a meados de abril. É necessário agendar com bastante antecedência.

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  • Transporte:

Para explorar essa zona arqueológica, alugue uma e-bike (bicicleta elétrica) ou, se tiver mais disposição, uma bike normal mesmo.

  • Onde comer:

Bagan tem diversos restaurantes, um mais lindo que o outro. Foi lá que tive as melhores refeições da viagem. Alguns restaurantes que provei e gostei:

– La Min Thit (o meu preferido de comida brimanesa)

– Be Kind to Animals the Moon (vegetariano delicioso)

– Black Rose

  • Tempo de permanência: 3 noites são suficientes. Porém corre o risco de você se apaixonar por Bagan e não querer mais ir embora…
  • Onde se hospedar:

Eu acabei me hospedando em 2 lugares, ambos em New Bagan e bem próximos um do outro. Muitos turistas ficam na cidade Nyaung U. Tanto lá, quanto New Bagan estão bem localizados para visitar os templos, que ficam em Old Bagan.

  • Ostello Bello: hostel gerido por estrangeiros italianos. A estrutura do local é ótima, mas particularmente não gostei de me hospedar aqui por alguns motivos:

muito badalado, com “festas” todas as noites. Se é isso que você procura, esse é um ótimo local para conhecer outros mochileiros.

Staff (maioria estrangeira) nada simpático.

  • Mingalar Hotel: por que preferi ficar aqui? Apesar de ser bem mais simples comparado ao Ostello Bello, é gerido por uma família birmanesa muito, mas muito simpática e que faz de tudo para agradar. A dona Pyae Pyae é um encanto de pessoa. Cheguei nesta guesthouse por volta de 6hs da manhã e, depois de passar a noite viajando de ônibus, tive a grata surpresa de já poder entrar no quarto. Com certeza isso não seria possível no Ostello Bello. Fiquei 1 noite aqui e tive que mudar para o Ostello Bello, pois já tinha feito reserva lá e eles não quiseram cancelar. Porém, como acabei ficando mais tempo em Bagan, retornei para o Mingalar Hotel, um hotel mais familiar e tranquilo, onde me senti em casa.

Monte Popa

De Bagan, fiz o passeio bate-volta até o Monte Pop. O Monte Popa é um vulcão com 1.518 metros acima do nível do mar, com templo no topo da montanha. Eu, particularmente, não gostei. Demora uns 40 minutos para subir o monte. Chegando lá, não achei o templo muito bonito e, além disso, como estava muito quente, a vista não foi boa, pois estava com muita cerração.

Kalaw

É de Kalaw que saem os trekkings para o Inle Lake. Há inúmeras agências que fazem os trajetos. Não é necessário reservar antes. Eu cheguei em Kalaw no meio da tarde e já pude agendar o trekking para o dia seguinte. No meu caso, agendei o trekking na própria guesthouse que me hospedei. Optei pelo trekking de 3 dias e 2 noites, mas também é possível fazer de apenas 2 dias e 1 noite.

Foi a primeira vez que fiz um trekking onde pernoitei durante o trajeto e foi uma experiência única!!

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Na primeira noite dormimos em um vilarejo, no quarto de uma família local. E no segundo dia, dormimos em um mosteiro.

O trekking Kalaw – Inle Lake já se tornou muito turístico. Não espere ficar em um vilarejo e jantar junto com as pessoas locais, por exemplo. Eles já estão habituados a enorme quantidade de turistas que percorrem diariamente as montanhas e vilas da região. Durante o trajeto você irá se deparar com muitos outros grupos de turistas caminhando pela região. Mas mesmo assim, achei que valeu a pena.

Tinha lido a respeito do trekking em outras regiões mais ao norte do país (Kyaukme ou Hsipaw), menos turísticas, mas acabei desistindo, pois ficavam mais distantes e infelizmente não teria tempo suficiente. Deixo aqui a dica para quem quiser pesquisar mais a respeito destas outras opções!

Durante o trekking, prepare-se para não tomar banho. Eu, muito ingênua, cheguei a perguntar se eles forneceriam toalhas. O guia disse que não. De qualquer forma, levei uma canga. No primeiro dia de trekking, nada de banho. No segundo dia, tomamos banho de rio durante o percurso. A água estava bem gelada, mas a vontade de tomar banho era maior! rsrs

  • Onde se hospedar / agência de trekking:

Fiquei na Golden Lily Guesthouse. O local é gerido por uma família indiana. É bem simples, mas limpo e com um bom custo-benefício. Fiquei em um quarto individual com banheiro compartilhado e tive uma ótima noite de sono. Além disso, o café da manhã com panquecas de banana e geleia, estava delicioso!

Inle Lake

O trekking terminou com um almoço em Inle Lake, outro destino muito procurado pelos turistas e com uma paisagem deslumbrante. Trata-se do segundo maior lago de Myanmar com 100 km de extensão e 5 km de largura.

No dia seguinte ao trekking, fiz o passeio de barco pela região, onde pude apreciar de perto o “balé” dos pescadores com seu jeito único e especial de pesca. Ao longo do caminho, você também irá se deparar com diversos vilarejos flutuantes, mercados asiáticos, templos e diversas fábricas artesanais.

É possível dividir um barco com outras pessoas. O ideal é já perguntar no hotel e se juntar com outras pessoas lá mesmo ou então ir até alguma agência e agendar. Tentar achar algum grupo no píer é mais difícil e mais caro. O ideal é sair logo cedo, pois os mercados flutuantes terminam ao meio-dia.

 

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Mandalay

A cidade em si não me atraiu tanto quanto os outros lugares que passei em Myanmar. Mas alguns lugares que visitei pela região, valeram o passeio.

  • Vale a pena visitar:
  • U Being Bridge: próximo a Mandalay (aproximadamente 30 minutos de carro), presenciei o mais lindo pôr-do-sol da viagem. Foi em Amarapura, onde fica a ponte U Being Bridge.

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  • Mandalay Hill: a cidade de Mandalay tem esse nome por conta desse monte. Diz a história que Buda o escalou com um discípulo e profetizou que abaixo dele seria fundada uma grande cidade. Uma caminhada de aproximadamente 45 minutos te leva a uma vista 360º da cidade. Mas não é só a vista que é incrível. No topo está a pagode Sutaungpyi. Eu já estava no final da viagem em Myanmar e perdi as contas de quantos pagodes visitei. Como adoro mosaicos, chegar ao topo e me deparar com este pagode cheia de mosaicos, foi surpreendente. Achei lindo!!

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  • Monastério de Shwenandaw: construído de madeira, vale a pena ver a tradicional arquitetura birmanesa deste mosteiro.

 

  • Mahamuni Pagoda: outro local sagrado em Myanmar, frequentado por peregrinos que vem de todos os cantos do país. Diariamente às 4hs da manhã há um ritual de lavar o Buda deste templo. Fui assistir e é realmente impressionante a devoção dos fiéis. Sai de lá quase 7hs e o ritual ainda não tinha terminado. Por ser muito cedo, quase não há turistas.

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  • Transporte:

Você pode conhecer os principais pontos turísticos de moto taxi, taxi ou mesmo bike.

O trânsito dessa cidade é caótico e andar de bicicleta é uma aventura. Porém, sempre que tenho a oportunidade de conhecer os lugares de bike, essa é sempre minha primeira opção. Andar de bike me dá uma enorme sensação de liberdade. Sem contar que é um ótimo exercício físico!

  • Tempo de permanência:

Fiquei 2 dias e meio em Mandalay, sendo que um deles fiz um bate e volta para Pyin OO Lwin. Achei suficiente.

Pyin OO Lwin

Resolvi fazer um bate e volta para essa cidade que fica bem próxima a Mandalay. Trata-se de uma cidade de montanha com atrações como cachoeiras e parques.

A recepção do hotel em que eu estava hospedada chamou para mim um “shared taxi”, ou seja, um taxi compartilhado com outras pessoas. O preço foi bem barato (cerca de 7 dólares), porém, demoramos quase 1 hora para sair da cidade, pois o taxi foi parando para buscar outras pessoas. Até Pyin OO Lwin levamos mais 1 hora. Em quilometragem é bem perto, mas como o percurso é bem íngreme e cheio de curvas, demora.

Atenção: o último horário para pegar os taxis compartilhados de volta para Mandalay é às 15hs

Dica: se estiver seguindo de Mandalay para o norte, passear por Pyin OO Lwin e pernoitar por lá, é uma ótima opção. A cidade é uma graça e por estar em uma região montanhosa, o ar é mais fresco e não tão quente na época de calor. De lá é possível pegar um trem e seguir viagem para cidades como Hsipaw, Lashio, etc. Dizem que o trajeto de trem é bem bonito. Não tive oportunidade de conhecer e ficará para uma próxima!

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SAIBA MAIS:

Myanmar (antiga Birmânia), esteve sob domínio do Reino Unido até 1948, ano de sua independência. De 1962 até final de 2010 sofreu um árduo período com regime militar, o que fez com que o país ficasse ainda mais isolado do restante do mundo. Desde então, o país vem abrindo suas portas ao turismo e à entrada de investimentos estrangeiros. Hoje está no poder Aung San Suu Kyi, política de oposição birmanesa, vencedora do Prêmio Nobel da Paz em 1991, secretária-geral da Liga Nacional pela Democracia  (LND) e filha do general Aung San, herói da independência da Birmânia.

É uma líder muito admirada pelo povo. Em diversas casas e estabelecimentos vê-se imagens de Aung San Suu Kyi. Surge uma nova liderança que está trazendo grandes esperanças para que o cenário político e econômico deste país mude.

  • Idioma: birmanês. Palavras que não vão sair da sua cabeça após visitar Myanmar:
    • As pessoas se cumprimentam dizendo “Min ga la ba”
    • E para agradecer “Tche Zu Bê”

 

  • Religião: cerca de 89% da população é adepta ao budismo teravada. Há também um percentual pequenos de cristãos e muçulmanos, além de outras minorias (judeus, hindus, praticantes do budismo mahayana).

 

  • Visto: brasileiro precisa de visto para entrar no país e o visto de turismo permite permanência de 28 dias por lá. Há algumas opções para tirar o visto:
    • 1ªopção: tirar o visto no Brasil, pelo Embaixada de Myanmar, que fica em Brasília. O processo demora em média 7 dias úteis e precisa ser feito através de Foi esta a minha opção. Paguei uma taxa de R$ 75 pelo visto e mais os custos do despachante que a própria embaixada me indicou. Site da embaixada no Brasil: http://www.myanmarbsb.org/
    • 2ª opção: fazer o processo de visto na chegada ao aeroporto do país (Visa On Arrival). Para isso você precisa fazer antes uma solicitação em um site que emite uma carta em até 3 dias úteis, que você apresentará no aeroporto. O valor da taxa é mais alto que tirar o visto por aqui. Sites que fazem este processo:

Atenção: neste caso, você não tem garantia de que conseguirá entrar no país, pois esta carta não é o visto. O visto será emitido no aeroporto e você pode ou não ser liberado. Quando busquei informações sobre essa opção, vi que é mais garantido você ser liberado se já tiver a passagem de saída do país comprada. Caso não tenha, eles podem bloquear sua entrada. É sempre um risco… conheci pessoas em Myanmar que conseguiram entrar sem a passagem de saída comprada anteriormente. Eu prefiro não arriscar e, se tiver tempo, faça pela Embaixada do Brasil, mesmo que tenha que pagar um pouco mais pela taxa do despachante.  

3ª opção: se você for passar uns dias em outro país da Ásia antes, como a Tailândia, por exemplo, pode fazer pela embaixada lá. Conheci pessoas que tiraram o visto pela Embaixada de Myanmar em Bangkok e o visto demorou em média 3 dias (porém, é importante confirmar a informação no próprio consulado).

 

  • Como se vestir: dos países que visitei no sudeste asiático (Tailândia, Laos, Indonésia, Singapura e Malásia), achei Myanmar o mais conservador. Tanto homens quanto mulheres usam saias longas, os famosos longuis ou sarons. Até mesmo os turistas, achei que se vestem de forma mais comportada. Apesar do calor, usei saia longa quase todos os dias. Quando não estava de saia, usava uma bermuda mais comprida… nada de shorts muito curtos. Sempre tinha um lenço na mochila para cobrir os ombros na entrada dos templos. E quando usava bermuda, a saia estava na mochila… sempre!!

 

  • Como se portar nos templos: para entrar nos templos, é necessário tirar os sapatos e deixá-los na entrada. Cubra os ombros e joelhos. Não se sente com seu pé virado para o Buda.

 

  • Comida: amei a comida birmanesa. É um pouco apimentada, mas menos que a tailandesa. Experimente comida de rua e mercados. Não se apegue a aparência e não se assuste ao vê-los manuseando tudo com as mãos. Sei que para nós, ocidentais, é bem estranho. Mas vale a pena!!

Apesar de os birmaneses comerem com as mãos, nos restaurantes você encontra garfos e colheres. Faca, nem pensar!

A comida típica vem arroz (geralmente a vontade) acompanhada de alguma carne, peixe ou frango e diversas porções de variadas coisas, como salada, curries, creme de milho, molhos especiais, etc. Cada lugar oferece suas próprias porções. O legal é que você vai misturando essas porções com o arroz e experimentando diversos sabores. Não deixe de provar:

  • Tea Leaf Salad
  • Mohinga: é um tipo de sopa com noodle de arroz, acrescida de outros ingredientes. Trata-se de uma refeição de café-da-manhã. No meu caso, comi como um prato de almoço.
  • Chá: o chá feito de especiarias e leite condensado é absolutamente delicioso.

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  • Moeda: a moeda local é o kyat. Você pode levar dólares e trocar lá. Mas atenção, eles só aceitam notas novinhas de dólares e que não estejam amassadas. Você não pode nem mesmo dobrá-las ao meio. Hoje você também já encontra pelo país Western Union, além de ATM’s. Você não encontra moedas no país.
  • Locomoção: considerando que o turismo no país é recente, até que achei fácil me locomover por lá. Para ir de uma cidade a outra, só usei ônibus (ou mesmo mini caminhões adaptados para transporte público), fazendo inclusive viagens noturnas para economizar tempo e acomodação. Não achei muita informação sobre horários de ônibus na internet, então busquei informações nas próprias rodoviárias. Para viagens noturnas a cia de ônibus que mais gostei foi a JJ Express. Pegue o ônibus VIP. Custa um pouquinho mais, mas vale a pena pelo conforto. São apenas 3 bancos por fileiras.
  • Melhor época para ir: Myanmar tem praticamente 2 estações no ano, a seca e chuvosa. Eu visitei Myanmar durante o mês de fevereiro, que é a época seca. Estava bem quente, mas suportável. Abril e maio são meses ainda mais quentes. Porém, se quiser aproveitar para conhecer o Ano Novo Birmanês, vá em abril. Para ver uma paisagem mais verde, um bom período para visitar é setembro e outubro.

Outras coisas interessantes sobre a cultura do país:

  • Tanaka: é muito comum ver as pessoas (especialmente mulheres adultas e crianças) com o rosto pintado com Tanaka. Eles ralam a madeira desta árvore com um pouco de água e produzem essa tinta, que é aplicada principalmente nas bochechas, nariz e testa. Isso serve para proteger o rosto do sol e, até me disseram, que deixa a pele mais hidratada.

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  • Noz de bétele: um hábito comum entre os birmaneses é mascar uma noz (noz de areca), misturada com outras ervas, um pouco de cal natural e enrolada em uma folha de bétele (que é uma palmeira encontrada no Sudeste Asiático). Essa combinação de ingredientes estimula muito a produção de saliva, por isso que é tão comum ver as pessoas cuspindo uma tinta vermelha no chão. Os efeitos são parecidos com o do tabaco.
  • Ronda das almas: de população majoritariamente budista, é comum ver os monges logo cedo rondando as ruas da cidade, pedindo por doações, já que eles não podem comprar nada, nem mesmo alimentos.
  • Sinta-se famoso por lá: prepare-se para ser abordado a todo momento por pessoas pedindo para tirar fotos com você. Apesar do turismo estar crescendo cada vez mais, ainda não é muito comum para eles ver pessoas ocidentais, principalmente em locais mais remotos.

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Ainda lembro de Myanmar como um sonho. Um lugar que me tocou profundamente, me emocionou, me ensinou e me fez uma pessoa melhor.

Espero que essas dicas ajudem os viajantes que desejam conhecer esse país tão maravilhoso. Também espero ter despertado naqueles que nunca imaginaram visitar Myanmar, o desejo de conhecê-la.

Para dicas adicionais ou dúvidas, é só mandar e-mail para mochilandosozinha@outlook.com

Terei o maior prazer em ajudar no que eu puder!